segunda-feira, 12 de março de 2012

Não me peça para não fazer algo, farei o contrário.



Ela procurava se agarrar em qualquer outro sentimento que não fosse relacionado ao garoto que ela desejava tanto esquecer, ela queria seguir com a vida, mas era díficil, sair por aí pedindo que as pessoas compartilhassem seus sentimentos com ela ou que achasse um sentimento mútuo.
Resolveu se apegar ao sentimento carnal, porque era melhor mesmo só a coisa física, sem mãos dadas, sem idas a bares ou passar maquiagem para se mostrar à alguém. Apenas a coisa corpórea.
Deitada na cama, após o ato, ela sentia vontade de fumar um cigarro, sabe igual aquelas cenas de filme em que assim que termina o cara vira pro lado e acende um cigarro? Ela queria reproduzir essa cena, enquanto o cara tava lá 'curtindo' o momento, ela queria ficar enrolada no lençol fumando um cigarro, na janela, olhando o céu estrelado.
- No que você está pensando? - perguntou o rapaz.
- Nada, por que?
- Você parece estar longe.
- Nada a ver isso aí.
- Você não curtiu? - perguntou o rapaz, inseguro.
- Claro que curti, por que? Eu fiz cara que não?
- Não, foi bom, só que agora você parece estar distante.
- Ué, você queria o que? Que a gente ficasse deitado abraçados igual um casal?
- Sim.
- Mas você disse que a gente não ia fazer isso.
- Só por agora.
- Vai te catar.
Levantou da cama e foi ao banheiro. Porta trancada, ela se perguntava se era aquilo que ela queria se agarrar. Olhando no espelho, viu a pele transpirando, o rosto com suor, arrumou os cabelos bagunçados, prendeu a franja pra cima, passou uma toalha molhada no rosto, se enrolou novamente ao lençol e disse:
- É o que tem pra hoje.
Voltou e se aninhou nos braços do rapaz, enquanto o segundo filme passava na tela do computador, já era umas 11 e meia da noite, era quinta-feira e ela tinha que ir trabalhar no outro dia. Não se importou.
Puxou o rapaz para sua boca e o beijou. Sentiu que queria aquilo sim.
- Mudou de ideia? - Perguntou o rapaz com cara de galã de filme prestes a agarrar a garota e rolar com ela na cama.
- Mudei, só não diz de novo que você quer apenas o meu corpo, finja que está afim.
Se desenrolou do lençol e esqueceu que o outro dia era sexta-feira ainda.   

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sonhei...



Essa noite eu tive muitos sonhos, de vários tipos, com várias histórias. Essa cabeça criativa que não para de funcionar.
Sonhei que fui fazer uma entrevista de emprego, que envolvia patrão novo e patrão velho, que não deu certo.
Sonhei que acordei atrasada para o trabalho e por isso fui trabalhar de shorts e meia arrastão azul, mas no sonho isso era normal.
Sonhei com aquela careca lá, mas essa careca tinha rastafari dessa vez e muito falador.
Sonhei com um trem que ia de um bairro para o outro, mas que só voltava 100 anos depois.
Sonhei com um e-mail daquele rapaz, que dizia que sentia minha falta, tantas palavras bonitas, no e-mail tinha datas falando que vinha para Maringá e tinha umas respostas de algumas perguntas que nunca foram respondidas, no e-mail tinha tanta coisa que só em sonho mesmo para ser verdade.
Sonho que me fez perder o sono e ficar acordada das 5 da manhã até às 6:55, o horário que eu levanto para trabalhar.
Ah, quer saber, num to num dia bom não. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Saudade.

                                                                          Foto: Alexandre Caitano                                 

                                      
Um beijo roubado pedido, um beijo delicado no rosto, estralado brincando, no cantinho dos lábios, um beijo singelo. Mão de leve no rosto, percorre a bochecha, para no queixo, brinca um pouquinho. Sorriso sincero, tímido, agradável, o cheiro.
Saudade, sentimento humano. Lembrança nostálgica, suave de alguma pessoa ou ato, de coisas passadas. Nostalgia de lembranças boas.
Só se tem saudades do que foi bom, o cérebro ofusca os momentos ruins, as frases mal feitas, das verdades ditas nos momentos ébrios, dos sumiços repentinos e dos intervalos entre um encontro e outro.
Se tem saudades dos atos impulsivos, da visita surpresa, dos presentes simples e bobos, que na verdade tornam-se os presentes mais especiais que um ser pode oferecer ao outro, da atitude de mandar uma carta, dizendo, sinuosamente, "sinto sua falta", do céu estrelado depois da chuva fria, do corpo quente na madrugada. Só se tem saudades disso, das longas conversas sobre nada, da teimosia e das extensas explicações em vão, seguidas das risadas.
A saudade, o sentimento humano que todos têm, podendo negar, até transbordar do corpo para fora. Não se tem saudade das noites mal dormidas, mas se tem daquela encolhida no carro, um espaço desconfortável, se tem saudades disso. Se tem saudades da mordidinha no pescoço, seguido de um "não pode" com charme, mas que pode. Das mãos juntas.
Se tem saudades disso, dos olhares trocados, da caretas engraçadinhas, cheias de sentimento.
Eu tenho saudades, não nego. Ninguém deveria negar, fingir. Saudade, o sentimento humano das boas lembranças dos atos passados.  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Um conto, uma história - número 2


Menina pequena sensível, nada esperta. Luta pelo certo, mas mira no errado e ainda insiste.
"Insiste por que?", questiona o cérebro à menininha.
A resposta é vaga, a resposta é nada. "Aposto que ta aí se arrependendo pelas atitudes tomadas, esperando o errado dar certo", continua o cérebro.
"Pior que não", responde secamente a menininha. "Não acredito em você", diz o cérebro. "Ah um lado seu acredita sim, porque é ele que faz insistir nisso, por mais que machuque ou por mais que faça bem, ele acredita", ela ri na cara dele.
Menina pequena sensível, nada esperta. Brinca com o errado e cai no buraco, esperando ele vir resgatá-la.
"Você está aí sozinha, eu avisei", martela o cérebro. "E?", ela diz, ela é seca. "Daí que você está sozinha! Se tivesse ficado com o certinho, não teria caído", discorre o cérebro. "Tá bom, saí daqui agora!", aos prantos, aos gritos, ela. "Não!", teimosamente. "Estou sozinha, mas não estou triste, me recuso, eu tenho o resto do mundo pra mim, posso?", não sabia quem era mais teimoso, se o cérebro ou coração.
"Não pode", ponto final. Ficou sentadinha dentro do buraco olhando o pequeno feixe de luz, enquanto o sol se escondia. Festa se aproximando, o que fazer? Alguém a escutaria?
Será que alguém a salvaria?
Cérebro responde: não.
Coração indaga: é só esperar.
Viajaria por ali mesmo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A viagem que não aconteceu

Desde o começo do ano só pensava em viajar. Queria fazer uma surpresa.
- Vou esperar um feriado prolongado e ir lá fazer uma surpresa pra ele - dizia ela sozinha em seus pensamentos, com todos os planos na cabeça. Sabia que ele ia curtir, porque estaria no lugar que ele gosta. Iria pedir pra ele mostrar porque aquela cidade era tão bonita, porque o encanto dele por uma cidade gelada.
E passou o mês de janeiro inteirinho procurando por um feriado prolongado e marcou aquele do Carnaval, afinal ela não trabalharia na segunda, terça, nem muito menos quarta. Seria uma ótima viagem para a cidade gélida e ainda era verão, ou seja, não sofreria tanto!
Semana corrida, tanto trabalho, coitada, não conseguia nem pensar, apenas que o Carnaval estava chegando e que ela ia pra lá, ia mesmo, sozinha, sem nem avisar a ele que iria pra lá, iria ao acaso, sabia o endereço, poderia fazer uma surpresa se surgisse a coragem que acabava aos poucos, de hora em hora ia se esvaindo do pequeno corpinho, do cérebro que funcionava 48 horas por dia.
- Mãe, queria viajar nesse feriado.
- Vai - diz a mãe sem se importar, sabendo que não ia acontecer.
...
- Pra onde você quer ir?
- Ah sei lá, pra onde não tiver Carnaval.
- Você não vai pra onde eu acho que quer ir, né?
- Tava pensando aqui...
- Mocinha, mocinha.
- Ah mãe, você já sabe como funciona, né.
- Bom, então vai ué, você já tem idade suficiente pra fazer as escolhas, apesar...
E o olhar da mãe dizendo o que ela não queria ouvir, mas sabia que a mãe estava falando a verdade. Mãe é mãe, né, sabe tudo!
Isso a fez pensar se era o certo Porque mesmo se ela fosse pra lá e não visse o rapaz, não avisasse ele, poderia curtir a cidade sozinha, sem Carnaval, ela não queria pessoas. Queria sim, uma, sem carnaval.
- Então tudo certo, sábado depois do almoço eu vou. E que aconteça o que for pra acontecer! - Disse ela enquanto ouvia a voz romântica do rapaz dos olhos azuis, Frank Sinatra. Eiii esse cara fazia ela pensar e como fazia.
E foi dormir pensando na ideia. A noite, nos sonhos psicodélicos cheios de tramas, sonhou que a viagem tinha sido um desastre, só chuva, acidentes e desprezos. Acordou triste, sabia que era um sonho, mas aquilo podia muito bem se tornar realidade. E a pequena coragem que ainda restava no corpinho pequeno foi embora na última gota de café da caneca com corações.
E foi assim que ela desistiu.
- Talvez no próximo feriado, murmurava dentro do carro à caminho do trabalho, sem acreditar na possibilidade.